sexta-feira, 12 de junho de 2009

100% é dificil...Dona Antónia

100 % é difícil
Ao ver no começo da escada seu nome riscado no cimento, me lembrei da importância de se perpetuar o amor. Naquele tempo era um tipo de brincadeira, sem a menor pretensão. Hoje me ajuda a buscar meus objetivos com mais afinco, garra e vontade. Palavras que você me ensinou o sentido e, principalmente o significado. Na vida aprendi que para se ter 100% de tudo é quase como um raio cair duas vezes no mesmo lugar. A única e total certeza que temos é a morte, inevitável e necessária para que haja renovação. Não só da alma, de todo o corpo. Os anos passam vejo meus frutos já deixando de ser “verdinhos” e começarem a “amadurecer” mudar o teor e sabor pelo tempo. Mesmo forçados por atitudes de decisões impensadas vão descobrindo a seqüência da vida. Gostaria que estivesse aqui, quanta mudança. Quanta falta de conteúdo. Os 50% que me restaram ficou tão perdido na matemática da solidão que trocou a metade dos 50 por algo que não vale nem 5, e o preço que esta pagando pesa até em nosso orçamento. Perdeu-se no vazio que a sua ausência deixou. E eu, escondido não pude fazer nada, apenas sentei e me envenenei, trago a trago, e me trouxe quase o fim. Mudei. Achei. Perdi. Sigo procurando. As vezes de madrugada acordo do nada, e o ventilador renova o ar, pena que não renova o dia, pois lembro das conversas, dos conselhos, das risadas, até das broncas. Até o jeito de sentar é igual. De virar o pescoço, de torcer os olhos e a voz quando brava, quem segue aos seus, iguala-se. Os tesouros ficaram sem mapa, a ilha achou que tinha encontrado o amor, achou um pirata, que só remava e nunca chegava na praia. O papagaio, continuou arrumando a calça, que teima em continuar caindo, mas, com mais qualidade e sempre de um jeito ou de outro lembra-se que sabia os segredos. Eu vou indo, sinto tanto sua falta. Seu cheiro, seu humor, sua risada, seu carinho, ainda vejo a sombra do que restou em meu coração. Se pudesse compraria por qualquer preço, uma volta dos ponteiros, não para te ter aqui, mas para poder ouvir novamente a voz que ecoa em meus tímpanos sem ninguém em corpo presente, estar a meu lado.
Não entenda este relato como tristeza, embora esteja carregando este sentimento, neste momento, ele não vai durar, sabe porque, tive alguém e tenho alguém que sempre estará me “cutucando” e repetindo: “soldado de pouca fé”. Antónia Maria Mariano Moreira, guerreira, mãe, vó, mulher...sempre vou te amar e te respeitar e, tenha certeza, aprendi muito com você e estou tentando ensinar. No tempo certo a gente se vê. Até.

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